Depois te tanto tempo sem alimentar meu blog, fiz um esforço
para registrar aqui um desabafo de Fernando Henrique Cardoso em um dos capítulos de sua mais
recente obra "A soma e o resto ─ um olhar sobre a vida aos 80 anos" sobre a falta de reconhecimento de seu legado pelo seu sucessor Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.
Ao falar do que gostaria de ser lembrado quando não estiver mais entre os mortais, FHC,
como é conhecido, demonstra que, certamente, gostaria de ser reconhecido ainda em vida.
“O julgamento que interessa para um intelectual ou para um político é o da
história. Mas você vai estar morto. Então já não interessa tanto...”, diz o sociólogo e ex-presidente do Brasil.
Por enquanto, FHC acredita que o reconhecimento será dado às medidas
de controle de inflação. Mas lança dúvidas no que se refere ao aumento do
salário mínimo real (descontado a inflação), à estabilidade do real e políticas
sociais em seu governo. “Porque veio o Lula e o Lula fez tudo para que o que
fiz fosse esquecido. Quis apagar a história para que ele aparecesse como o
único fazedor de coisas”, lamenta. FHC emenda: “Como os estalinistas fizeram
com as outras correntes revolucionárias. O meu partido não reagiu, nem eu. Não
sei, portanto, se essa parte social vai ficar marcada, mas ela é verdadeira.
Fiz o que pude”.
Pelo que parece, a célebre frase atribuída a FHC ao assumir o poder foi usada ao extremo: “esqueçam o
que escrevi”.